Minha vida é assim. E eu gosto que seja assim. Sufoco-me fácil, gosto de mudanças, a rotina me cansa, “o de sempre” não me atrai. Tudo aquilo que quer me prender, me vê solta com rapidez. Eu fujo, escorrego pelos dedos, e mesmo que caia no chão, não volto. Gosto do vento batendo no rosto, de pegar estrada, de dias atípicos de tempestades em pleno verão. Tudo que é novo, interessante e curioso, desperta minha vontade, essa vontade feroz de devorar a vida, como se a vida fosse uma grande e suculenta novidade agridoce.
Meu coração pede por novidades, o Universo ouve.
Grades cobrindo uma paisagem que antes me deslumbrava, recheava meu olhar de vontades. Hoje só me deixa triste e angustiada. Pior do que não ter novidades, é se deixar levar por esse ciclo interminável que é o egoísmo humano e sua vontade de transformar outros humanos egoístas em seus hamsters que correm o dia todo em suas rodas, sem nem saber ao menos para onde estão correndo, correm sem destino, sem ver o que tem pela frente.
Eu me recuso. Meus horizontes são muito maiores…